O Barbeiro da Vila - Causo 4 - O lorde inglês

20/07/2014 18:36
 
por Mário de Méroe
 
FACTOTUM – O Barbeiro da Vila[1]
Coletânea de “causos” comentados no salão de um singular barbeiro, em minha Vila
 
Nota: Recomenda-se ler a Introdução, publicada em 02/05/2014, para inteirar-se do contexto dos “causos”.
 
Causo 4
O lorde inglês.
 
O salão de Fac, nosso querido barbeiro da Vila, vez por outra é honrado com a ilustre presença de um cliente poliglota, muito viajado, e que adora contar coisas pitorescas que ocorrem em suas andanças.
Nesta visita, o cliente foi logo destravando a língua, ao sentir a toalha colocada em seu pescoço, sinal que o barbeiro estava começando seu trabalho.
“Sabe, amigo Fac, eu retornei há pouco de uma viagem à Inglaterra. Que povo mais engraçado! Na região onde estive, todos são muito ricos, finos, tratam-se por Sir e são muito parecidos uns com os outros, no nome, na roupa e nos hábitos. Até suas mansões são semelhantes.
Pois bem, ouça um caso que foi veiculado em uma rodinha, e que eu escutei enquanto tomava uma bebida com amigos, em um pub daquela região, que parecia ser o ponto de encontro da comunidade.
Consta que um lorde inglês, ausente de sua mansão por longa temporada, a negócios, resolveu telefonar para sua esposa para saber notícias.
Fez a ligação de seu quarto, no hotel onde se hospedara. Na mansão, o mordomo atendeu, com a saudação de costume:
─ Às suas ordens, my Lord!
─ Alfred, disse o lorde, desejo falar com a lady.
─ Temo ser impossível, my lord!
─ Por quê, Alfred?
─ Após o jantar, minha estimada lady recolheu-se aos seus aposentos com seu novo namorado, e deu-me instruções expressas para não importuná-los sob nenhum pretexto.
O lorde refletiu por uns instantes, mas logo recobrou sua calma, característica genética dos súditos de Sua Majestade.
─ Alfred, minha carabina de caça está carregada?
─ Sim, my lord.
─ Pegue-a, arrombe a porta da suíte e faça um disparo na cabeça de cada um deles. Mas com muita courtesy acrescentou (afinal, era um lorde inglês!).
─ Um momento, my lord, respondeu o mordomo sem questionar.
Do outro lado da linha, o lorde ouviu claramente os dois disparos. Em seguida, o mordomo retornou ao telefone e informou:
─ Tarefa realizada, my lord.
─ Muito bem, Alfred. Agora apanhe um grande encerado, na garagem, embrulhe os dois corpos com ele, junte algumas pedras para dar peso, e amarre tudo muito firme.
─Yes, my lord.
O mordomo retornou em alguns minutos e disse:
─Tudo pronto, my lord. Com sua permissão, tomei a liberdade de colocar um ramo de flores nas mãos de minha querida lady.
─Certo, Alfred. Agora pegue o pacote, e atire-o no rio, que passa nos fundos da propriedade.
─Impossível, my lord!
─ Como impossível, Alfred!, exclamou o lorde aborrecido com a petulância do mordomo. Eu ordenei e assim deve ser feito!
─ Lamento, my lord, mas não passa nenhum rio nos fundos da propriedade.
─ Tem certeza disso, Alfred?
─ Sim, my lord. Sou mordomo nesta mansão há muitos anos, e posso dizer, com segurança, que não há nenhum rio nas imediações.
O lorde pensou um instante e perguntou, com o desprendimento peculiar à sua nobre estirpe:
─Afinal, de onde está falando?!?! ”
 
O contador do causo ria com vontade ao terminar a narrativa.  Fac terminou o serviço e olhou admirado para o cliente:
─ Não entendi!
─ Não precisa entender, meu amigo. Piadas de inglês são sem graça mesmo, até para eles! Até a vista!
Fac ficou resmungando:
─Ainda bem que logo mais teremos outro jogo da Copa! Se não, quem aguentaria ouvir isso???
 
 
[1] Coletânea de “causos” humorísticos, em elaboração.
 

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